10 pontos para achar o caminho das pedras até uma redação nota 10

Por Rogério Chociay*

Vamos começar assim: você fala, não fala? Então pode também escrever. Você foi alfabetizado, passou por toda a escola, terminou pelo menos o ensino médio? Que ótimo! Era isso mesmo o que eu esperava. Mas pode ser também que você já tenha feito um curso universitário e, mesmo assim, não aprendeu a escrever. Não fique alarmado. Você está dentro do padrão: não saber escrever, mesmo tendo diploma universitário, é a coisa mais comum em nosso país. O único problema é que agora você tem de fazer um concurso e, imagine!, vão pedir uma redação!

Passe uma borracha, ou, melhor, dê um “Del” nesse passado, zere tudo e lembre-se apenas de que você sabe fala razoavelmente bem. Não sabe? Sabe, sim. E é um cidadão (ou cidadã) bem informado, que lê pelo menos um jornalzinho ou uma revista de vez em quando, prefere filmes com som original e legendas e, na internet, se interessa por muitos assuntos. Muito bem. Isso é o suficiente. Vou demonstrar, a partir de agora, que você pode fazer uma boa redação.

1 É como uma entrevista para emprego

Sempre que entrevistado para um emprego, você foi capaz de explicar ao entrevistador o que esperava desse emprego? Foi capaz, sim. Você sabia o que queria. E se você, ao treinar para a entrevista, simulasse essa explicação, seria capaz de escrever exatamente como a falaria? Sim, seria. Mas, diria você, “isso não seria uma redação, seria uma transcrição da fala, viraria uma sequência meio confusa, que só poderia ser entendida razoavelmente numa leitura em voz alta, dentro de uma situação específica”. Perfeito! Você está certíssimo. Esse é o primeiro ponto: você é capaz de transcrever o que fala, mas isso ainda não é uma redação.

2 É como fazer exercícios

Você sempre achou que fala melhor do que escreve? Pare de achar. A comparação não é boa. Falar e escrever são duas  maneiras de expressar-se atualizando um código chamado língua portuguesa, mas são duas maneiras muito características. O melhor seria pensar assim: se eu sei falar, eu devo saber escrever, porque o código é o mesmo e, se eu sei utilizá-lo para uma coisa, provo com isso que posso saber utilizá-lo para outra coisa. Captou? Então, se você sabe falar bem é porque sabe utilizar bem, no plano do discurso oral, o código. Mas, se você sabe falar bem e não sabe escrever tão bem, não é porque você seja bom numa coisa e ruim noutra, é porque você está mais acostumado com uma coisa e bem menos com outra.

Em resumo: se você até hoje não conseguiu escrever tão bem quanto queria, é porque não exerceu o ato de escrever textos com a mesma constância com que praticou a fala. Portanto, bote na sua cabeça que, tanto em fala quanto em redação, não há limites para mais: se você hoje fala bem, pode vir a falar melhor, se praticar mais; se você hoje escreve mal, pode vir a escrever bem, se praticar mais; e, se continuar praticando, pode vir a escrever muito bem.

Redigir é uma habilidade; as habilidades são adquiridas com a prática e se tornam cada vez melhores com a prática constante. Matou a charada?

3 A chave para sua conclusão

Você acha que escreve mal porque nunca consegue fechar direito um texto? Você tem e não tem razão. Tem razão, quando percebe que não conseguiu fechar o texto; mas não tem razão ao dizer que escreve mal. Se conseguisse fechar o texto, você acha que ficaria bom? Viu? Então você não escreve mal, apenas não desenvolveu certa habilidade para fechar suas redações, ou aquela redação em particular.

Além disso, ao falar que não consegue fechar seus textos, demonstra saber perfeitamente que um texto é uma totalidade de sentido; só fica completo quando se consegue, com a última frase, fechar inteiramente a sua mensagem. E o que é sua mensagem? Aquilo que você queria dizer a seu leitor, a sua opinião, seu ponto de vista. E como fechar o texto, se você não sabe? Sabe, sim; se sabe que não fechou, tem pelo menos uma ideia do que está faltando.

Leia de novo o que escreveu, desde o começo, em busca de aberturas que fez, para fechá-las num ou dois parágrafos finais. Você consegue, porque sabe o que falta. Estou na mesma situação, neste momento, pois coloquei como tema e subtítulo de minha redação “Dez pontos para achar o caminho das pedras para uma redação nota 10”; então, meu texto só se fechará quando eu escrever sobre o décimo ponto. Se for apenas até o oitavo, pode me reprovar, não fechei meu texto.

4 Busque repertório

Você pode falar um pouco sobre o princípio da incerteza, de Heisenberg? Opa! Como não foi expert em Matemática e Física na escola, não sabe dizer uma só sílaba. Não se preocupe. Eu também não sei. Isso demonstra que eu e você somos incapazes? Demonstra, sim. Somos incapazes de escrever sobre um assunto que não está no nosso repertório. Isso mesmo.

Preste atenção nesta palavra: repertório. Se se pede a um cantor para cantar certa guarânia e ele não conhece, dirá, com toda a simplicidade: não posso, não faz parte do meu repertório. Isso não o torna um mau cantor.

Ora, escrever também implica a necessidade de repertório: só se pode escrever sobre um assunto que se conhece pela experiência real ou pela leitura. Muito bem. Agora você sabe: se vai prestar exame vestibular ou um concurso, preste atenção nos assuntos que poderão ser pedidos; se não conhecer alguns desses assuntos, trate de ler e de informar-se a respeito, para aumentar o seu repertório. Sim, mas um colega seu no 3º ano do Ensino Médio não conhecia o tema da redação e escreveu a redação exatamente sobre isso – que não conhecia o tema da redação e por que não conhecia – e o professor deu 10, elogiando a criatividade. Beleza! E o professor não falou também que seu colega devia tomar cuidado em vestibulares e concursos, que consideram como critério eliminatório redigir sobre o tema? Se não falou, deveria ter falado, pois, se seu colega repetiu a proeza num exame, com toda a certeza zerou na redação.

Escrever, em vestibulares e concursos, não é exibir-se, não é tentar dar uma de escritor genial, é demonstrar conhecimento de repertório e habilidade de produzir um texto a respeito do tema apresentado. Nem mais, nem menos. Busque sua vaga com seriedade; deixe os exibicionismos para depois.

5 Valorize o tempo que você obtém

Mesmo com esses cinco pontos, você ainda acha que o seu texto continua confuso, você escreve meio atrapalhado? Não se alarme. O ato da fala e o ato da redação são realizações do mesmo código, mas, como as situações em que são produzidos diferem bastante, os resultados são também diferentes.

O ato da fala é instantâneo, o falante tem uma fração de segundos que vai do pensamento ao discurso verbalizado; por isso a fala de uma pessoa, quando transcrita, parece um discurso meio confuso, cheio de apoios como “tá, tá bom, é, e daí, então” e outros.

Já o ato da escrita dispõe de algo precioso: tempo. Mesmo que seja o tempo de uma hora e meia ou duas, num vestibular ou concurso, isso já é suficiente para pensar um pouquinho, fazer uma anotação ou outra, imaginar começo, meio e fim, fazer um rascunho, ler, corrigir e passar a limpo.

O tempo, para escrever, é uma dádiva. Use-a. Muitos candidatos não fazem rascunho, escrevem diretamente e vão para casa. Confiam demais no seu taco. Grande erro. Perdem a oportunidade de melhorar, de aperfeiçoar, de catar um cochilinho aqui e ali, de trocar uma palavra mal empregada, de melhorar o fecho e até de perceber, em tempo, uma contradição.

Sabe como é: um ou dois probleminhas em seu texto podem significar aquele pedacinho de nota que poderá fazer com que você perca a vaga. Muitas vagas são decididas nos milésimos das médias. Já pensou? Milésimos!

6 Encare o texto como uma corrente

Partindo do pressuposto de que um texto é escrito para ser lido, qual é o leitor de uma redação de vestibular ou outro concurso? A banca de correção, dirá você. E estará certo, em parte. Não acertou por inteiro porque não percebeu que existe outro leitor importante antes da banca de correção: você mesmo.

Desenvolvi, num livro, uma teoriazinha da redação a partir da constatação de que, quando um sujeito escreve, o primeiro leitor do seu texto é ele mesmo. Parece bobagem, mas não é. Escrever, na verdade, é um ato dúplice, une numa só duas ações.

Quem começa a fazer uma redação escreve primeiro uma frase. Em seguida, quando vai escrever a segunda frase, tem a primeira na cabeça e faz com que a segunda tenha alguma relação com a primeira, caso contrário estaria escrevendo duas frases seguidas mas que não estariam começando a produzir um texto. Relê as duas frases e, vendo que fazem a sequência semântica pretendida, parte para a terceira e assim sucessivamente, até a última, quando pode respirar e dizer: está fechado. Mesmo assim, acabará lendo tudo de novo em busca de alguma lacuna.

Percebeu? Uma sequência de frases só constitui um texto se houver também sequência de conteúdos. Uma sequência de frases como a seguinte – mas faz o prato gostoso, sou feio mas sou dengoso, também o tempero é feio, você me chamou de feio – não constitui um texto, porque não consegue dar, a nós, leitores, tal como está escrito, uma totalidade de sentido. As frases podem até revelar alguma relação semântica entre si, mas o modo pelo qual foram colocadas na série não consegue fechar o possível texto.

Entretanto, bastaria uma reordenação para se obter um texto: você me chamou de feio, sou feio mas sou dengoso; também o tempero é feio, mas faz o prato gostoso. Na verdade, esse texto já existia, é uma quadrinha popular, uma trova, e sua melhor apresentação é do seguinte modo, para destacar que se trata de um texto em versos: “Você me chamou de feio, / sou feio, mas sou dengoso; / também o tempero é feio, / mas faz o prato gostoso”.

Não esqueça: escrever é, ao mesmo tempo, ler, e estas duas habilidades, bem entrosadas, só podem produzir um bom texto.

7 O tamanho do parágrafo

Apesar de tudo, você ainda acha que os seus textos ficam confusos e não sabe o porquê. Sabe, sim. Você deve ter reparado que muitos poemas e letras de canções populares se realizam como sucessões de quadras, como a do item anterior. São textos cujas unidades são estrofes de quatro versos. Mas estamos falando de uma redação em prosa. Assim como a unidade de sentido dos poemas tradicionais são as estrofes, a unidade de sentido do texto em prosa são os parágrafos.

O que é um parágrafo? Assim como uma estrofe, um parágrafo é uma unidade de sentido, mas, diferentemente da estrofe, não tem limite mínimo nem máximo de linhas: pode ter uma linha, constituída por uma frase, ou mais: cinco, dez, quinze, vinte linhas. Tudo depende de como o autor considera a sequência do texto que constrói.

Observe o texto deste artigo: não sei como ficará na postagem, mas no modo rascunho em que estou digitando o primeiro parágrafo tem sete linhas, o segundo tem seis, o terceiro tem nove e o quarto tem dezesseis linhas. Os demais parágrafos poderão ter mais ou menos linhas.

Mas o que faz a unidade de um parágrafo? E difícil responder com 100% de exatidão, mas quem escreve sabe que o parágrafo constitui uma unidade de sentido do texto, um conjunto de frases estreitamente relacionadas pelo sentido. A mudança de um parágrafo para outro equivale sempre a uma transição maior de sentido do que a que ocorre entre as frases no interior do parágrafo. O escritor sente, intui que é melhor iniciar novo parágrafo, para caracterizar a transição, como eu mesmo intuí ao iniciar o presente parágrafo. Mas isso não é uma ciência exata. É importante perceber que a geração de parágrafos faz bem ao texto, confere a ele visibilidade, facilita a apreensão e interpretação pelo leitor. Puxa! Acabei escrevendo um paragrafão! Melhor começar outro.

Cada escritor, assim, tem a sua teoria própria de paragrafar. Há quem se caracteriza pelos parágrafos mais curtos, outros, pelos longos. Prefiro variar o tamanho, mas tenho tendência para escrever parágrafos longos. Isso depende muito do gênero de texto que está sendo produzido. Uma redação de vestibular ou concurso, por exemplo, nas 30 linhas regulamentares, terá necessariamente parágrafos de tamanho pequeno e médio.

Guarde na memória: a paragrafação é uma divisão natural e deve refletir como o escritor está vislumbrando seu texto em blocos de sentido.

8 Não ganhe no grito

Você é uma pessoa “de opinião”? Não é? É, sim. Todos costumam ter opinião a respeito de assuntos que pertencem a seu repertório.

Um texto dissertativo-argumentativo, como quase sempre pedem os vestibulares e as provas de diferentes concursos, pressupõe sempre um ponto de vista, que não precisa ser original: você pode ir contra ou a favor da maré das opiniões. As propostas de redação dos vestibulares e concursos pedem posicionamento ao candidato.

Você escreve a sua redação para demonstrar a validade de sua opinião a respeito do tema proposto. “Isso é óbvio!”, você dirá. Mas repare que a opinião que defende num texto não precisa ser aquela que você defenderia pessoalmente, num debate com colegas ou em sala de aula.

Fazer uma redação dissertativa, deste modo, é defender uma opinião, uma tese, que quase sempre é a opinião de quem escreve. Em debates sobre dado tema, pode-se ter posição a favor, contrária ou em termos, vale dizer, em dúvida. Um tema como “pena de morte”, por exemplo, é complicado para posicionar-se: a maioria, provavelmente, será contrária; uma minoria será a favor e alguns poderão manifestar-se “em termos”, colocando prós e contras e declarando-se em dúvida quanto a uma opinião definitiva.

Alguém poderá dizer, jocosamente, que “estão em cima do muro”. Este fato, porém, pode ser usado de modo altamente construtivo: ao preparar-se para as redações de vestibulares ou concursos, escrevendo redações como exercícios, experimente, sobre um tema como “pena de morte”, fazer não uma, mas três redações, em cada uma defendendo uma opinião diferente: contra, a favor, em cima do muro. Não existe melhor técnica para aprimorar sua capacidade de argumentar, porque você aprenderá a ver um tema sob ângulos diferentes, opostos, e a sua capacidade de argumentar na defesa de um ou de outro será posta à prova. Faça isso sempre.

9 Organize a estrutura do texto

Este é um ponto importante, o da estrutura e da construção do texto, que bem poderia ser chamada construtura.

O texto é um todo, é uma totalidade semântica, uma totalidade de sentido. Algum professor já lhe disse que o texto, para ter estrutura, deve ter começo, meio e fim, ou seja, introdução, desenvolvimento e conclusão. De que outro modo seria a totalidade de sentido? Mas essa obviedade não significa que todos os textos devam ser iguais, bem comportados, indo do 1 ao 10, do 11 ao 50 e do 51 para o 60. Pode-se contar desse modo, mas se pode contar de 60 a 1, ou de 60 a 51 e, depois, de 1 a 50. E assim por diante. Você já assistiu a muitos filmes, não? E sabe que muitos começam pela cena final e depois passam a narrar a história desde seu início até aquela cena apresentada. Uma redação pode também ser assim.

Há muitos modos de arrumar a estrutura de um texto. Você pode começar já anunciando sua posição a respeito do tema e, em seguida, apresentar os argumentos que o levaram a ela. Ou apresentar um exemplo no início e, em seguida, passar a desenvolver sua opinião a partir do exemplo. Pode partir de uma pequena história, uma anedota, uma ocorrência que possa servir de amostra do tema e passar à demonstração de sua posição a respeito. Ou apresentar as duas opiniões mais comuns a respeito e seguir analisando uma e outra, para, no final, assumir posição.

construtura do texto, isto é, o modo como a estrutura de seu texto é arranjada, pode assumir mil formas diferentes. Uma boa maneira de aprender como se pode iniciar um texto e como terminá-lo é lendo artigos de revistas, artigos opinativos de jornais. As pessoas que os escrevem são jornalistas, escritores, professores, pesquisadores, empresários, políticos, pessoas que sabem o que escrevem e como escrevem; ou, quando não sabem, contratam um ghost-writer que sabe fazer a coisa muito bem.

Veja, por exemplo, este artigo. Escolhi um título de base – 10 pontos para uma redação nota 10 – que inspirou o subtítulo por fim editado nestas páginas. Ao usar um título tão específico, condenei-me por antecipação a cumpri-lo. Ao mesmo tempo, ele me inspirou a construtura do artigo: escrever dois parágrafos introdutórios anunciando o tema e, a seguir, estabelecendo a sequência do texto pelo aparecimento progressivo dos pontos anunciados: primeiro ponto, segundo ponto etc. Com isso, foi fácil desenvolver. Alguns dos pontos couberam em um parágrafo; para outros, foram necessários mais. Tudo bem, pois o balizamento programado estabeleceu por si só o roteiro.

Ninguém nasce sabendo os diferentes modos de construir um texto. Precisamos aprender esses modos pela leitura, analisando um a um e fazendo exercícios de construção de textos segundo esses diferentes modos.

10 Dê uma “cara” à redação

Finalmente o último ponto, e para dizer que sua redação deve ter uma cara, uma fisionomia. No caso de uma dissertação, parece difícil imaginar esse fato. Nem tanto. Numa dissertação, a opinião pode ser desenvolvida de um modo mais calmo e ponderado, mas pode também ser mais vigorosa, com argumentação cerrada. Pode-se defender um ponto de vista utilizando um discurso mais alegre, com alguns trocadilhos e exemplos bem-humorados, ou, ao contrário, usar uma linha que une a manifestação de opinião a uma espécie de lamentação pelos problemas que se discute. Há, enfim, muitas maneiras de criar a fisionomia de um texto e é bom lembrar que podemos mudar essa fisionomia de acordo com a ocasião. Volto a dar como exemplo este artigo: eu poderia ter colocado todos os pontos de uma maneira mais circunspecta, dissertando com neutralidade, caprichando para não empregar termos coloquiais, não deixando o eu do escritor transparecer, de um modo mais professoral; mas preferi escolher outra fisionomia mais distensa, mais alegre, colocando figuradamente meu leitor dentro do texto e dialogando muito informalmente com ele, enquanto vou passando as lições. Espero ter acertado. Mas não faça isso numa redação de vestibular ou de concurso. As bancas de correção esperam certa impessoalidade de seu texto. Por isso, escreva em terceira pessoa, evite exibicionismos, manifestações de sentimento, tentativas de impressionar pelo uso de vocabulário rebuscado e, sobretudo, citações de autores que não leu. É péssimo negócio.

Pronto.

Todos os pontos estão colocados. E se você seguir direitinho os dez, poderá chegar a escrever redações nota 10. Mas não se preocupe demais com a perfeição, esta é algo que vem aos poucos, com o tempo e o exercício: sete, oito, nove são também ótimas notas e ajudam muito nos vestibulares e concursos.

Satisfeito? Acho que não. Como você tem grande vontade de aprender e é muito observador, ainda poderá perguntar: “e a normal culta? e a ortografia?” Isso, meu amigo, não é a minha obrigação de ensinar, mas a sua, de aprender.

Escrever coisas como “análize, atrazar, estraordinário” não é cometer errinhos, não é distração, não é desobediência, não é manifestação de personalidade teimosa, é um atestado de desmazelo. Passar quinze ou vinte anos na escola e cometer erros desse tipo é um péssimo cartão de visitas e qualquer membro da banca de correção pode dizer que tal estudante não aprendeu porque não quis.

Mas você é duro, José. O que não pôde aprender na escola vai aprender sozinho, a partir de agora. Ponto para você.

 

Leia também: Como planejar a sua redação

Leia também: A elaboração do texto dissertativo

 

* Rogério Chociay é pesquisador da Unesp especializado em vestibulares, autor de Redação no vestibular da Unesp: a dissertação (Fundação Vunesp, 2004).

Fonte: Especial Redação 2009, Revista Língua.

 

Comentários
  1. Ena Lélis
  2. Graci

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